Monumento-Nu (Mo-Nu-Mento; Momento-Nu)
tipologia de um monumento decolonial aos ameríndios Kaiowá e Guarani para Lisboa
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v4i2.676Palavras-chave:
naked-monument; kaiowa and guarani; decolonial art; body art; classical monument; presence culture.Resumo
Estes escritos desenvolvem-se de modo a diagnosticar a tipologia de um monumento aos ameríndios Kaiowá e Guarani, do estado de Mato Grosso do Sul, Brasil, a ser elaborado para a capital de Portugal, Lisboa. Como uma forma de resolver a minha problemática situação nesse entremeio, ao ser uma artista contemporânea paulistana e branca –nem indígena, nem portuguesa–, num primeiro momento explicita-se a faceta decolonial a fundamentar a peça artística em questão, assim como a possibilidade de eu enquadrar-me numa epistemologia do Sul. Por conseguinte, a reflexão em torno a três “objetos-sujeitos” das culturas materiais Guarani –kurusu tumular, pau, vara ou cruz de chiru, e tipos de “altar” Guarani-Kaiowá (yvyra’i marangatu) e Guarani-Nhandéva (tata rendy’y)– leva à emergência da noção do ato de produção do corpo “vivo”, no presente. Segue-se, então, um trato com definições de antimonumento e contramonumento, pelo que se arriba na tipologia ‘monumento-nu’ –a qual pode ser, também, indicada por ‘mo-nu-mento’ e por ‘momento-nu’–, condizente ao aspeto destacado das cosmovisões ameríndias. Por fim, nas conclusões reconhecem-se potenciais críticos da sintaxe do monumento-nu com respeito ao monumento clássico e aos monumentos coloniais e imperiais. Por outro lado, identifica-se uma vertente do pensamento ocidental que, ao estar em sintonia com a ideia de produção do corpo “vivo”, preza pela cultura de presença e é apta a desconstruir a colonialidade do poder.