Traces
Toward a Bulk Modulus of the Human
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v8i1.A1423Palavras-chave:
perceptual awarenes, artistic practices, structural physics, painting, colour theory, emotional resilienceResumo
Este artigo apresenta o traço como termo simultaneamente conceptual e operativo para uma prática de pintura situada entre a investigação qualitativa e a produção de ateliê. O termo é tomado de empréstimo à mecânica dos sólidos, onde o traço do tensor das tensões mede a pressão hidrostática que atua sobre um material num único ponto. Por analogia, a autora propõe um equivalente humano: uma medida flutuante da quantidade de pressão emocional e cognitiva que uma pessoa consegue absorver antes de o seu estado interno se alterar. Desenvolve-se uma ideia complementar – um módulo volumétrico humano (bulk modulus) – para descrever a resistência individual a essa pressão, a par da tese de que, ao contrário do diamante ou do aço, as pessoas podem modular deliberadamente a sua própria resistência através da consciência, da atenção e da intenção. A partir de uma formação em ciências da computação e em investigação em experiência do utilizador (UX), o texto entende a entrevista como um método de recolha de traços e a tela como uma estrutura capaz de os conter. A cor e a forma são tratadas como uma linguagem da pressão emocional, em diálogo com os argumentos de Kandinsky e de Rothko sobre a capacidade da cor de se dirigir diretamente à emoção. Discutem-se dois conjuntos de obras: a série Traces, que regista estados de pressão pessoais e testemunhados, e Insolation, que coloca esses estados à escala do tempo planetário. Em conjunto, interrogam o que significa registar, sobreviver e ser transformado sob carga, sem ser destruído por ela.