O Em Busca do Espaço Perdido

Autores

  • Daniel Lisboa Universidade Federal da Bahia - UFBA

DOI:

https://doi.org/10.48619/cap.v8i1.A1444

Palavras-chave:

tempo; espaço; velocidade; experiência; informação; presença

Resumo

Este artigo reflete sobre as transformações contemporâneas da experiência do tempo e do espaço em uma sociedade marcada pela aceleração tecnológica, pela cultura da conectividade permanente e pela economia da atenção. Partindo da observação do cotidiano urbano, discute-se como a lógica capitalista de produtividade e eficiência converte o tempo em mercadoria, reduzindo as possibilidades de contemplação, presença e convivência. Em diálogo com autores como Paul Virilio, Jorge Larrosa, Milton Santos, Francesco Careri, Paola Berenstein e a tradição filosófica taoísta, o texto argumenta que a velocidade da circulação de informações, imagens e estímulos produz uma crise de experiência, caracterizada pela substituição da vivência direta por suas representações mediadas por telas. São abordados conceitos como “tempo de rua”, “homens lentos”, “não-ação” (Wu Wei) e “telaplanismo”, entendido como a centralidade assumida pelas telas na organização da percepção contemporânea. O artigo defende que o excesso informacional e imagético compromete a atenção, favorece estados de ansiedade e empobrece a relação dos indivíduos com o espaço urbano e consigo mesmos. Como contraponto, propõe práticas de desaceleração, pausa, caminhada, meditação e ocupação do espaço público como formas de recuperar a experiência, ampliar a presença e reconstruir vínculos coletivos. Conclui-se que a principal crise da contemporaneidade não é a escassez de tempo, mas a perda do espaço necessário para permitir que algo efetivamente nos aconteça.

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Publicado

2026-08-21

Como Citar

Lisboa, D. (2026). O Em Busca do Espaço Perdido. CAP - Cadernos De Arte Pública Public Art Journal, 8(1). https://doi.org/10.48619/cap.v8i1.A1444