Cartografia do inundômetro
Espectralidade e tragédia climática
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v8i1.A1450Palavras-chave:
Palavras-ChavesResumo
Esse trabalho se apresenta como ensaio visual da produção fotográfica resultante da ação urbana ‘Cartografia do Inundômetro’, realizada na Praça da Alfândega em Porto Alegre, RS, Brasil, em 2025, um ano após a histórica enchente de 2024. O Inundômetro, uma régua de dois metros de altura, marcada na cota de 1,72m, foi instalada no meio urbano como monumento efêmero e disparador de narrativas. Esse dispositivo confronta o cotidiano apressado e materializa visualmente o nível atingido pelas águas durante a maior enchente que atingiu a cidade e o estado do Rio Grande do Sul, Brasil, tornando o risco climático tátil e corpóreo para os transeuntes. A ação é resultado da parceria entre extensão universitária através do projeto ‘Cartografia da Hospitalidade’ e o Memorial do Rio Grande do Sul, e teve como objetivo propiciar a escuta sensível. O acervo gerado constitui uma cartografia afetiva da tragédia que aqui se apresenta como ensaio fotográfico do que restou como imagem da ação. Durante o evento, os passantes foram convidados a medir a catástrofe na escala do próprio corpo, compartilhando memórias, testemunhos e traumas que as fachadas limpas da arquitetura do entorno não mostram mais. Partindo de Derrida e Mondzain, o Inundômentro, a ação e a imagem fotográfica operam como espectro que suspende a linearidade do tempo, unindo a presença do corpo à ausência da água. Ao transformar o luto em potência criativa e crítica, o projeto impulsiona a urgência de ações protetivas e a reinvenção do habitar contemporâneo.