Memórias de Uma Árvore Morta
DOI:
https://doi.org/10.48619/cap.v6i1.1027Resumo
“Examinar os elementos não a partir do exterior, mas procurando o contato direto com sua pulsação interior”, frase do filósofo/professor/pintor Vassily Kandisnky que li há muitos anos atrás sempre me fez refletir, enquanto pintava, sobre a relação intrínseca entre meu corpo visual e minha alma sensível diante das vivências diárias. Essa série de pinturas chamada “Memórias de uma árvore morta” faz parte de um projeto maior que venho desenvolvendo chamado “ÁRVORES: descontinuidade, permanência e transformação da consciência coletiva ”, em um campo complexo que envolve a natureza humana e a sua relação com o mundo. As pinturas que apresentam linhas, espaços cheios/vazios, dinâmica e equilíbrio, se apresentam como memórias internas e coloridas do meu próprio eu/natureza em relação com o eu externo/natural. Me apropriando, por meio de Frottages (decalque) em preto e branco, das fissuras dos troncos cortados pelo homem, crio um universo de memórias coloridas (painéis) através dos entrecruzamentos das linhas (histórias de uma árvore), re-conhecendo a descontinuidade e a permanência de uma nova forma, de uma nova proposição, de uma nova maneira de experienciar a imagem, entre o que vejo e sinto, absorvendo a identidade de um novo conjunto de figuras, transformando cada trabalho em novas proposições que permitem repensar a dispersão/permanência/transformação de uma história que parte do cotidiano. Compor trabalhos em dimensões grandes sobre painéis, me traz um olhar curioso e propositivo diante das coisas do mundo e, nesse sentido, poder ser compartilhada com o outro em uma simbiose do sensível.